- Oh menina será que vai chover?
- Provavelmente... O céu está tão cinzento. Tenho de ir. Xaú!
- Xaú menina. Deus queira que não chova!
- Deus queira...
Lá ia eu no meu percurso habitual quando fui interpelada por uma velhinha que, na ânsia de conversar com alguém, meteu conversa comigo. O diálogo foi rápido, mas foi suficiente para perceber que aquela senhora estava tão só e ao mesmo tempo tão desejosa de se libertar do vazio que habita em si... Tive pena! Percebi ainda que ela confia em Deus, e Ele certamente lhe irá dar um pouco de alegria e irá ajudá-la. Quem sabe se Ele não irá enviar alguém como eu para a saudar! Afinal de contas somos nós que temos de cumprir aquilo que Ele espera de nós!
P.S. Gostava de ter ficado mais tempo a falar com a senhora, mas tinha uma consulta e já estava atrasada. Tive pena...
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Velho
Parado e atento à raiva do silêncio
De um relógio partido e gasto pelo tempo
Estava um velho sentado no banco de um jardim
A recordar fragmentos do passado
Na telefonia tocava uma velha canção
E um jovem cantor falava na solidão
Que sabes tu do canto de estar só assim
Só e abandonado como o velho do jardim?
O olhar triste e cansado procurando alguém
E a gente passa ao seu lado a olhá-lo com desdém
Sabes eu acho que todos fogem de ti prá não ver
A imagem da solidão que irão viver
Quando forem como tu
Um velho sentado num jardim
Passam os dias e sentes que és um perdedor
Já não consegues saber o que tem ou não valor
O teu caminho parece estar mesmo a chegar ao fim
Para dares lugar a outro no teu banco do jardim
O olhar triste e cansado procurando alguém
E a gente passa ao seu lado a olhá-lo com desdém
Sabes eu acho que todos fogem de ti prá não ver
A imagem da solidão que irão viver
Quando forem como tu
Um resto de tudo o que existiu
Quando forem como tu
Um velho sentado num jardim
Música de Mafalda Veiga