quarta-feira, março 18, 2009

Voo de distância



Antes a história era assim:
Era uma vez…


…Um pássaro…

Um pássaro sem medo do vento, do sol, da noite, da chuva. Um pássaro tranquilo e ao mesmo tempo tão preocupado em fazer a sua rota. Um pássaro que pára para descansar e encantar pela sua voz. Um pássaro ousado pela vida.


...Um canto…Um canto que uma noite surgiu do absoluto. Um canto que transparece em palavras e em imaginações. Um canto com alma e essência capaz de saber sorrir e segredar segredos sem fim. Um canto afinado e vivo.


...Um voo... Um voo minucioso, colorido, especial. Um voo aliado a asas de algodão em busca de um castelo longínquo. Um voo com vontade de voar mais e mais, sem olhar para trás e sem pensar nos condicionalismos que há. Um voo autêntico de uma ave rara.


Agora a história é assim:


Era uma vez estes pensamentos e era uma vez em que estes pensamentos se tornaram irrisórios ao ponto de eu deixar de acreditar neles. Era uma vez o pássaro que voou por querer voar sem saber cantar um canto de explicação. Era uma vez um voo de distância. Era uma vez um aproximar exigente. Era uma vez um sonho meu.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Hoje não


Sem chão, sem terra firme. Um pouco assim me sinto por não saber o que pensar, o que dizer, o que esperar. Saber que pode ser mágico não atenua o pedaço de mim. Podia precisar de janelas e portas para fugir, podia precisar de réstias de noite para me afundar e cair no vazio, no infinito simbólico que existe. Mas, hoje não há janelas nem portas nem réstias de nada; hoje só existo eu, apenas eu comigo e com os outros e com Alguém, não eu contigo, eu sem ti.

Hoje fico a pensar que o meu chão ficou invisível, e que não vou cair mesmo não vendo o chão e que não vou falhar mesmo sabendo que já não existes, mesmo sabendo que queres que eu sinta que já não existes. Hoje não vou tropeçar mais uma vez, hoje não me vou demorar nas minhas poesias abstractas com aquele sentido, hoje não vou confiar no que é dito sem escutar o essencial com os meus olhos. Hoje não.

Este hoje com sentido de futuro e com sentido de mim com um chão balanceado.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Acaso


Por um olhar, por um sorriso, por uma noite, por uma dança.


Acaso.
Anonimato.
Aparente esquecimento.
Acaso outra vez.
Vêm…


Palavras, sonhos, rumos, estrelas, bússolas, neve. Neve branca como eu ou tu. Bússolas para o mesmo norte. Estrelas para o brilho permanecer. Rumos de acaso. Sonhos de amanhecer. E. Palavras, tantas palavras, tantas que me dão mestria e significado a estes dias.


Nada é efémero quando é possível parar o tempo e lembrar e não esquecer do vivido e do sonhado. Nada é efémero quando eu existo e sinto que alguém também existe. Nada se perde também, apenas nos moldamos continuamente. E somos moldados. Não somos esquecidos, somos queridos por um alguém. E é este “querer” que permite sorrisos simbólicos e desejados e olhares que falam mesmo havendo aquele ou outro silêncio.

Às vezes não precisamos perceber; às vezes, basta sentir e navegar no mesmo “calmo mar”.
Catarina

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Indefinição infinita


Não ter voz e por isso tocar. quase como o vento, levemente. As mãos suaves trazem as melodias do que se quer escutar e a porta abre-se e o som ecoa por todo o espaço. O gelo parte e um êxtase existe. Querer que a melodia fosse infinita, que o som perdurasse o tempo de uma vida inteira e mais do que isso que alguém ousasse esperar pela última pauta de notas. Querer isto e nada mais. a felicidade, a entropia inexistente. Querer que me possas ensinar a tua música, o teu olhar esbranquiçado e a tua apaixonante forma de ser. Querer tanto e saber que este querer não vai bastar. Nunca bastou. Basta.


Catarina


P.S. Apetece-me fechar todo o céu em mim...


quarta-feira, dezembro 24, 2008

Filhos do Coração


Pendurar numa moldura a tua fotografia e adoptar-te à distância. Olhar o teu sorriso e ter pena e ter esperança e ter vontade de te ir salvar e ter consciência que é impossível.... Mudar o que está mal, mudar o que não gosto, o que não está certo, o que não podia acontecer. Mudar uma dinâmica de felicidade e pobreza de espírito.

Fé. O melhor que se pode ter. E a diferença? Vem de: Um gesto: Dois gestos: Três gestos: Muitos gestos. O mundo balança e deixa cair os maus e ficam de pé as crianças, o futuro deste amanhã.


Feliz Natal :)


Lembrem-se dos "Filhos do Coração" que andam por aí esquecidos...

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Difícil


Sentir. Sente. Sentimos. Que um dia tudo pode ser como pensávamos, que nunca haverá aquele choro, aquele escuro. Que um dia tudo ficará estático como um relógio sem pilha, como um deus sem tempo. Vem a razão. Reflecte-se. Sabe-se que haverá para sempre uma parede a separar os dois mundos, uma pedra a atrapalhar os desejos, um abismo até. Não quero. Não! não quero. Saber que uma parte estará completa para sempre e que outra estará vazia para sempre. Saber que uma esfera rolou e subiu mais e mais e que outra continua parada, como se fosse possível. Deixar-me e não querer, deixar-me ir e vencer naquela batalha e perder na mais importante para os Homens. Encontrar uma ilha e esperar que chegue um barco ou esperar um barco e encontrar uma ilha? Parece difícil, mas calma. O tempo chegará, os ponteiros são sempre cíclicos. E em qualquer viagem, em qualquer partida, haverá quem esteja à nossa espera na chegada. E Se não estiver inventamos, procuramos, achamos e somos felizes. Talvez seja esta a receita…

segunda-feira, novembro 24, 2008

Era uma vez uma sombra...


Era uma vez uma sombra...

Adormeci num sono compassado cuja melodia eram a ternura de abraços. Volta e meia os seus passos seguiam-me em sapatinhos de algodão e eu ficava sossegada, calada. Estava sempre atrás de mim e eu não vi, não fui nunca capaz de ver. Uma cegueira enorme, um desafio oculto. Era uma sombra, sim, mas diferente. Era reflectida para trás, impossível de eu correr atrás dela. Apenas ela, só ela, poderia correr atrás de mim. A verdade é que nunca se cansou, porque eu sempre andei devagar, sem pressas, sem rumo, sem nada.

Houve um dia que a sombra desapareceu. Não sei se dei conta, não sei se queria dar conta. Ela deixou de me abraçar e de me levantar cada vez que eu tropeçava naqueles fios de tempo. Cansou-se, é certo. Talvez da minha insegurança ou mesmo da minha falta de iniciativa para correr até ao céu e lançar-me naquele baloiço até ao mar. Também me cansei por não a ver, por apenas ouvir caminhadas quietas e sorrisos plácidos.
Sorte, indiferente. Expectativa, nenhuma.

Era uma vez uma sombra...

Que
...

sábado, novembro 01, 2008

Devaneios floridos


O jardim está a adormecer e ouvem-se os suspiros das flores. Eu escrevo com a mão quebradiça ao som do adormecimento da terra. Está escuro lá fora, o silêncio já se ouve. A manta aquece o corpo e alimenta a criatividade.


Olho para o horizonte e imagino uma flor sem sono que teima em ficar acordada para sempre. E eu rio-me com estes meus devaneios floridos. O sempre, o sempre - penso. O sempre é relativo como a minha sede por esta terra. O sempre é impossível mas ao mesmo tempo fácil de se sentir. O sempre existe quando eu digo que existe uma flor que não dorme. O sempre existe quando eu oiço uma estrela a guiar uma flor. O sempre existe quando eu vejo duas flores unidas a um luar sem sono.


Estas flores são humanas: sabem e acreditam . Sabem como funciona a dinâmica e não se entristecem com o Outono. Sabem que eu as imagino assim, e por isso gostam de me fitar quando tudo dorme. Elas acreditam em mim, nos céus e nas terras e acreditam no sempre. Acreditam!
Elas acreditam que um dia tudo estará acordado quando uma delas adormecer eternamente, para sempre...

domingo, setembro 28, 2008

Celeridade de um sorriso ou de um olhar


O olhar. O olhar confunde-se com o sorriso e no sorriso há o olhar e no olhar há o sorriso. O toque é pequeno e a luz infinita. A celeridade dos pensamentos é absurda e os desejos e invocações de novo existem neste lugar tão próprio que é meu. Na primeira vez, a luminosidade não é clara e inconscientemente ela fica a dançar invisivelmente nos olhos. Na segunda percepção, vê-se algo e gosta-se do que se fita. E nas restantes, a luz surge e traz sorrisos agregados a ela e a gente sorri.

Então…

Podia começar a exortar génios e teria sucesso, porque estes crêem num olhar e eu creio em genialidades. E, por vezes, por mais que me distancie do meu céu, a luz daquela estrela aparece num brilho desigual de um sorriso meu ou de alguém.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Ser ou não ser...


De alvorada em alvorada o canto persistia. Mil léguas ultrapassava num estilo magistral e perfeito. A razão era simples: acordar. Os olhos abriam com a claridade da manhã e a mente estremecia com o sussurro dos pássaros, das flores, das nuvens e de outros naturais. O sabor daqueles dias era igual ao de uma quimera abençoada. Era Primavera, Verão, Outono e Inverno e existir era rir.

De vigília em vigília o canto persistia. Mil léguas ultrapassava num estilo ignóbil e perverso. A razão era simples: acordar. Os olhos abriam com a escuridão da noite e a mente estremecia com o sussurro de gritos e de berros surreais. O sabor daqueles dias era igual ao de um pesadelo cruel. Era Primavera, Verão, Outono e Inverno e existir era sinónimo a não ser nada.


Humano? Eu?

terça-feira, setembro 02, 2008

Intuitos


As cores do natural coabitavam num universo tão próprio de colorações que eram capazes de falar mais do que humanos com capacidade retórica. Os olhos, cinzentos como a cinza, entendiam esta mutação artística e faziam-na desfrutar, momento a momento, o que percebia pelo olhar. Os sons também se alteravam com a direcção do vento: eram melosos e prezados e faziam-na levitar num oceano de utopia. Percorria aquela estrada, de pó capaz de cegar, sem desejo de chegar ao último quilómetro. Os passos eram pequenos, os intuitos tão grandes. O tic-tac do relógio estava abafado pelo espaço, e o tempo transformava-se num elemento inexistente à vida, como se fosse possível.
Das possibilidades, passa a ter como condiscípulas de jornada as impossibilidades. Quando deixava de sentir a brisa a bater-lhe na cara, notava que já lhe tinham aberto a porta do mundo real. Tudo se desvanecia ao querer dela. Agora, os passos eram grandes e os intuitos tão pequenos. Os sorrisos das flores e o canto das nuvens escondiam-se neste mundo e perdiam-se pelos labirintos tão comuns. Chamavam-na, em silêncio para ninguém ouvir, e convidavam-na a percorrer os caminhos que tinham descoberto para o outro tal mundo. Ela queria… mas o dever imperava.
À noite, a realidade dormia sem sonhos e ela atrevia-se a fazer o caminho de todas as manhãs, acompanhada pela luz mágica da Lua. Voava e acreditava.

Era um refúgio, era uma salvação. Era ela a inventar cores e maresias e fantoches benfeitores.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Emaranhar de ideias


A porta fecha. As cortinas correm. A vontade de escrever alia-se a um misticismo colorido pelas batidas quentes e escuras da noite. As palavras sussurram-me segredos analfabetos para o meu entendimento. Sei, por saber, que me falam do meu âmago. Trazem escondidas essências de sabedoria, razão e sentimento absurdo. Não é fácil perceber. O tempo esvoaça como o fumo da imaginação e a areia quase cessa e há a tomada de decisão que não espreita. A velocidade da rotação aumenta complexadamente e envolvo-me no que vejo, sem saber a porta de chegada e de partida. Estou no meio. Virtude? Graça? Desejo? Erro? É… no horizonte brilham questões e negações que se aliam a uma constante numa equação demasiado infinita. A terra e os sonhos sabem a mundos paralelos: intocáveis na perspectiva mais óbvia. Soltam-se gritos e asas avolumadas o suficiente para criar laços desejáveis. A identidade reluz e não se parece mais com o universo que arrefece pouco a pouco. No meio deste emaranhar de ideias, alguém ousa esperar pela luz da porta mais certa.

domingo, julho 13, 2008

Luz pouca



Perdida no silêncio amargo daquela noite, era capaz de te olhar e ver que não estavas bem. Não podia falar. Não podia sorrir. Não podia acenar. Apenas olhar. E olhava-te, como a Esfinge no deserto cheia de sede, e sentia que continuavas escuro. Toda a luz que tinhas conseguido tinha mudado de cor dentro de ti: cinzento e agora negro.
Estás preso, com correntes mortas, a ti mesmo e não te queres libertar. O que tens faz-te mal. O dever devia ser iluminar e não cobrir a luz com cabelos mentirosos e mãos bloqueadas.

Gostava de poder, outra vez, falar-te e dizer-te tanto, mas não posso. Promessa a mim mesma? Melhor: forma de eu não ficar sem brilho e esperança como tu.

Para ti, o desejo de te soltares da clausura em que vives por quereres e amares.


P.S. O blog fez 2 anos :) Eu mudei muito, mas vontade pela qual ele nasceu continua inalterável...

quinta-feira, junho 26, 2008

Cantos


Entrelaço-me no descanso dos dias longos e deixo-me ficar a saborear o que de mais delicioso há no recanto da minha lua. Olho, com aqueles meus olhos de escutar, os segredos dos que andam a dormir com o olhar entreaberto. Às vezes, gosto do que vejo e sorrio; outras, não esboço qualquer simpatia e baloiço-me na minha lua à procura de uma nova projecção.

Rodo-mo no melhor sentido da rosa-dos-ventos; Norte, Sul, Este, Oeste? Que importa? A melhor direcção é a minha: a mistura de todos os pontos cardeais com um único sentido apenas. Deleito-me com os aromas da terra e da água e do céu. E Disfarço-me na cor branca e deixo-me estar nesta transparência até quando eu quiser. Ou Tu?

Os segredos continuam a bajular as essências e cada vez mais me sinto convidada a ouvir os cantos das aves universais.

domingo, junho 01, 2008

Cansamo-nos



Cansamo-nos. Trazemos à baila essências demasiado trabalhadas para serem expostas aos não seres. Ficamos quietos e rimos. Rimos muito e alto. Rimos pelos olhares. Rimos pelo pardo que nos atrai. Rimos por existirmos assim. E. Baloiçamos com as letras das palavras que cantamos tão silenciosamente. Baloiçamos com os gestos das nossas vozes e das nossas mãos.

Ouvimos o rasto da música e tornamo-nos mais sérios. Adivinho a tua cor e tornaste irrisório nos meus pensamentos. Os barcos de papel que deixaste por navegar deixaram-te num porto hesitante. O mar fica revolto e tudo escuro, igual a ti. O teu olhar torna-se o meu. E. Não quero ver.

Cansamo-nos. As margens distanciam-se e nem um braço, nem dois, nem três eram capazes de uni-las por um dedo. Caminho para um lado e tu para outro. A música continua a ecoar baixinho. Fecho a minha janela e deixo-to do lado de fora. Estamos cansados. Preciso adormecer e acordar como eu era. Porque só assim faz algum sentido.

sábado, maio 24, 2008

É tudo.



Costas voltadas.
Arrepios de escuro.
Voz.
Poema.
Letras e palavras: Melancólicas.

Compassos misteriosos de pianos.
Eco.

Arrepio.
Lágrima.
Sentimento.

Sol.

Magia.

Quebra de ritmo e abala-se a melodia.

Palmas.

Sorrisos.
Desejos.


É tudo.

quinta-feira, maio 15, 2008

O ideal


A noite cai como um pano sobre a cara. Fecham-se as luzes e rodopiam-se as vontades. Trazem-se os sonhos amarelecidos. Focam-se as promessas em choros silenciosos. As palavras são desenhadas e guiam escondidas estados de alma. Penso: talvez o ponto final signifique mais do que ele mesmo; talvez o ponto final traga consigo o dia e as estrelas; talvez o ponto final seja o pretexto para finalmente brilhar. Os pensamentos continuam a significar símbolos e as minhas deixas deixam de ser pertinentes. O agora torna-se no que foi e fica o caminho aberto, como um conjunto ilimitado. A noite cai como uma flor seca, a morrer. É precisa água, muita água para renascê-la. Torná-la de acabada a mágica. O ideal.


Catarina

"(...)Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada." Miguel Torga

quarta-feira, maio 07, 2008

Herói, certo.


Nasceu quando ainda não havia nada que o fizesse viver. Tudo estava estagnado, quando nasceu. O tempo parado, os barcos encalhados, o vento estático, os sonhos mortos.

Nasceu quando ainda não havia nada que o fizesse acreditar. Crentes inexistentes faziam do passar irrisório dos ponteiros do relógio, grande negro da cómoda invisível, mera queda de pétalas de flores sem luz nem vida. Absurdos moravam na banalidade do comezinho, sem persuadir o próprio eu de cada um. Estúpidos, certo. Acomodavam-se ao conformismo hipócrita sem perceberem que tudo estava a abrandar; pouco a pouco, tudo estava a fenecer. Envolto de tanto fracasso, ele nasceu.

Nasceu quando ainda não havia nada que o fizesse crescer. O caos instalara-se na desordem do espaço e já pouco fazia sentido. Sem sentido de fuga, teve que nascer. Não houve brilhos nem sinos, só ouve um choro prolongado de lágrimas puras de imunidade à queda do apogeu. A linha do tempo foi-se aproximando do fim e o sufoco era notório nele. Era preciso algo. A cura existia, e era terrena e suprema. Ecos de bombardeios de sonhos invadiam-lhe o pensar e o sentir. Estremeciam-no. Pum-pum. A noite caíra e baloiçava tenuemente uma mudança pelos ares quietos. A metamorfose do existencialismo do indivíduo foi saber sonhar naquelas prontas horas e dar voz, muita voz!, a todos os desejos impostos por ele ou por alguém de olhos bem abertos.

Tudo acordou com o raiar da luz da manhã: as flores, as águas, os ventos, as pessoa, os céus. De ridículo, tudo passou a interessante. Herói, certo.

terça-feira, abril 29, 2008

Vem e vai


À deriva naquele dia sonhava com a voz de outros tempos...


Voz: Vem. Vem sentar-te aqui. Quero falar-te e saber das tuas decisões. Consigo perceber que precisas de algo meu.


(Olhar: Filha, os sonhos são dores…)


Voz: Senta-te. Olha os meus olhos. Sabem tanto. A idade também pesa, é certo, mas muito mais do que isso conheço-te. Conheço-te, porque também eu sei ler o invisível e por mais anos que passem, vais continuar a ser aquela papoila que baloiça e não cai. Serás sempre a menina dos sorrisos vermelhos, sempre.


(Olhar: Dorme, criança, dorme,/ Dorme que eu velarei)


Voz: Não Catarina! Não vás por aí! Não vais ser feliz assim. Imagino-te no futuro assim ... Confia no que te digo e não mintas mais a ti própria. Tens um castelo para construir e nunca para arruinar.
Agora vai, alguém te espera.

(Olhar: A vida é jovem e o amor sorri)


Deixei de derivar após ouvir e ler, pelo olhar, estas palavras. Serão indeléveis à passagem das folhas do Outono.


P.S. *As frases do olhar são da autoria de Fernando Pessoa e as da voz são de outra mente genial :)

sexta-feira, abril 25, 2008

Quando não sei


Sonhos perdidos na razão de não ser
Trazem escondidos pedaços de alma nua.
Quando há luz, evadem-se na linha imaginária e transformam-se em realização.


Quando não há luz, permanecem adormecidos e aniquilam-se em prostração.


1/4/2008


P.S. *Foi num dia de muita luz que os cravos marcaram um tempo, e ainda bem que marcaram :)