sexta-feira, junho 08, 2012
O dia não é agora
segunda-feira, maio 21, 2012
Sombra lado-a-lado
Eis um poema, a duas, de um sonho que tarda num por-do-sol que ainda não se ouviu.
Sabes que aqui estou.
Em bicos dos pés para que não oiças.
Sussurra aquilo que não quero ouvir.
E não me vejas.
Não queiras ser o que não és.
Sê a descoberta dos sentidos dos meus pés, dos silêncios das minhas palavras.
Fica forte, forte e inteiro, sê em mais além.
E vê a minha sombra que sempre te acompanha.
Num pasodoble a um dramatizado.
Num tango a uma valsa.
Em movimentos rotatórios do sol que me cria, a mim, sombra de mim.
Para no fim, no Sol-por, cairmos de braços abraçados, com a certeza que sempre nos vimos.
P.S. A música de fundo é a história do Homem: http://www.youtube.com/watch?v=7Qqtqj1odfw
sábado, maio 05, 2012
O que chegámos a ser
domingo, abril 22, 2012
O mundo inteiro
quinta-feira, fevereiro 23, 2012
Borboleta invisível

Via-te pousar com leveza no fundo daquela rua com cheiro a mar. O vento era frio e eu começava a gostar de saber que todos os dias iria olhar para o semblante azul que morre na areia da vida. Havia poucas gentes naquela foz. E estava Sol. Um Sol de Inverno, saboroso, o que mais gosto de sentir e tactear. Continuava a perseguir-te com o olhar. E via o rumo que levavas. Era-te tudo favorável e as nuvens longe apareciam. Não estavam muito carregadas e quando chegassem, depressa azulariam. Era nisto que acreditava e, eu sei, que sonhava.
Inesperadamente, Deus quis que aquela borboleta branca desaparecesse do meu olhar. Não me distraí com nada: absorvia tudo em igual proporção; simplesmente, ela parece se ter tornado invisível. Procurei-a enquanto caminhava a ouvir os passos do mar. Perguntei a quem por mim se cruzava se a tinham visto e ninguém a conhecia. Só eu e aqueles que em mim acreditavam.
Com a inocência dos dias, comecei a ponderar a existência da transparência também nas borboletas. Elas tornam-se invisíveis quando percebem que alguém as quer muito admirar. Se essa vontade perdurar, ela acaba por aparecer de novo e perde a sua capacidade de se metamorfosear. Se tal acontecer, ela permanecerá para sempre junto de quem a quer com as suas asas brancas a bater palmas e a sua voz a parafrasear não desistas.
Ainda não a voltei a ver. Mas oiço o bater das suas asas e a sua voz. Por agora também me encontro invisível.
P.S. Lord... Hold my hand...
sábado, janeiro 21, 2012
Sem fim
Não sei que mãos são estas. Que ainda procuram um sonho no entardecer. A queima da luz dilacera-se cá dentro, num sempre que ainda não sei. Sei que está escuro e não é só lá fora neste céu sem Lua. Sei que ainda vagueio em significados que agora me parecem perdidos e sem qualquer nexo neste raciocínio natural. Já não sei o que houve, quem houve, como houve, se houve. Perdi-me nas minhas próprias teias naif, nos meus próprios acessos ao mundo que idealizo. Perdi-me para quem sabe me encontrar. Para saber o que quero, quem quero, como quero, se quero.
Talvez apenas queira que as minha mãos sejam um museu próprio capazes de pintar auto-retratos. Não há beleza maior do que saber conhecer-se e gostar de se pintar. Talvez apenas queira ficar a contemplar o que em mim me abraça neste silêncio eterno e sem fim. O infinito sempre me encantou.
* We are god of stories... http://www.youtube.com/watch?v=jZhQOvvV45w
sábado, janeiro 14, 2012
The Lady
Não quero ser uma cópia tua, mas quero ser igual a ti na minha autenticidade. Quero ser resiliente como tu. Quero saber procurar a minha liberdade na opressão. Quero saber ler os eméritos e aprender com eles uma nova linguagem. Quero ser poucas palavras, mas quero ser palavras que perdurem. Quero ser o teu silêncio e a música do teu piano na ignorância de tantos. Quero não ter medo de atravessar espingardas apontadas à minha razão. Quero ter a tua fé no ser humano. Quero ser igual a ti a amar o que me é dado, os que fazem parte de mim e aqueles que acreditam igualmente neste Amor. Quero ser as tuas lágrimas de saudade. Quero ser os teus sorrisos de bem. Quero ser um abraço apertado de distância com desejos que o fim comum será alcançado. Quero saber estar presente, sem o estar. Quero ter flores no meu cabelo e deixar que o seu perfume evada até aos céus. Quero ser a tua simplicidade na complexidade dos que não a compreendem. Quero ser o teu sonho de um mundo de paz.
Tu, uma "orquídea de aço" e eu, un coquelicot Rouge.
P.S. *E, tu, que flor queres ser?
*Porque a música que entoava era a sua liberdade...http://www.youtube.com/watch?v=NgQUBecM7OM&feature=youtu.be
sábado, dezembro 31, 2011
Raízes

Se fosse possível resumir um ano a uma palavra, resumiria a raízes.
Raízes que nasceram. Novas, com vida e com vontade de crescer.
Raízes que cresceram. Já nascidas e que cresceram saudavelmente na terra que suporta os meus pés.
Raízes que morreram. Breves ou Médias ou Longas ficaram sem ar ou sem espaço na enorme densidade do que acontece.
Raízes que adormeceram.
Todas são raízes. Todas permanecem quer com ou sem vida. Alimentam-me as que nascem e crescem. Mas, todas me suportam e me fazem prosperar. Todas as minhas raízes estão voltadas para o céu. Como a árvore que vi e que toquei. Como os ramos à espera de florir.
P.S. *A vida é marvilhosa com todas estas raízes... http://www.youtube.com/watch?v=7l74d1fmZbw
*Um pedacinho de 2012... Seria importante eles saberem falar? Falar não é mais do que uma expressão oral do que pensamos. Mas há outras formas de falar. Eles sabiam escrever numa linguagem muito própria, que apenas os cinco conheciam. Também sabiam sorrir e rir, e estas duas manifestações também são falar. E será que seria importante eles saberem ouvir? Ouvir não e mais do que percepcionar o que nos rodeia. Mas há outras formas de ouvir. E eles sabiam ouvir com o coração.
domingo, dezembro 25, 2011
Natal é agora
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher"
Hoje também me abraça esta voz... http://www.youtube.com/watch?v=C1g5qHxSoF4
terça-feira, dezembro 13, 2011
Ser por si só

Adormecer num silêncio tranquilo e deixar-me estar. Acordar com pássaros a bailar na minha janela e saber, saber por si só, que o que está lá fora é apenas o meu presente. O único presente que sou audaz de conjugar.
Um agora com reminiscências de pretéritos perfeitos e imperfeitos. Um presente que me mostra que não importa uma conjugação plural se apenas é dita no singular. Um hoje que transforma pormenores na sua percepção e na desconstrução do que eles são. Um já de acasos com duas probabilidades simples do sucesso ou do insucesso. Um imediatamente de guardar tudo outra vez em mim e perder a chave. Um depressa com a aceitação da mudança para um outro alguém como que uma desculpa à solidão.
Um tempo que tende para infinito e que se confunde com o futuro. Um futuro que é este agora, este presente, este hoje, este já, este imediatamente, este depressa. Um futuro com mais conjugações de felicidades. É o que desejo à conjugação de ser.
Por isso, ensina-me, pequena ave da manhã, a ser.
P.S. Hoje fica esta: http://www.youtube.com/watch?v=K1sZpmBnJuw :)
domingo, novembro 13, 2011
Corre

Corre. Corre depressa. Não olhes nunca para trás. Corre. Corre o mais que puderes. Não tenhas medo se de noite não houver lua. Não olhes para as pedras, elas não te farão cair. Não olhes para o céu, o Sol poder-te-á cegar. Olha sempre para a linha do horizonte. E não desistas. Continua a correr. Não te vais cansar. Nunca nos cansamos quando corremos pela nossa essência. O teu caminho não era aqui. A tua casa não era esta. Era demasiado grande e complexa para ser vivida. Corre. Vai mais longe. Procura uma casa pequenina numa árvore para passares as noites. Acordarias todos os dias com o “passarar”. Ou então procura uma casa pequenina numa árvore à beira-mar. Seria o ideal. Adormecerias todas as noites com o “marulhar”. De manhã, levanta-te. Lava a cara com água salgada e espreguiça-te. Prepara-te para correr. Corre. Não leves mapa. Deixa-te guiar pelo teu instinto. Se tiveres que parar durante o dia não confies em que não conheces. Não te iludas com um doce. Quem é humilde apenas teria para te oferecer um copo de água e um pedaço de pão. Se conheceres alguém que apenas te ofereça isto dá-lhe de ti e pára de correr. Ajuda-lhe a semear o que for preciso. E fica à espera até veres os frutos que deu. Colhe tudo de bom agrado. Despede-te com um sorriso enorme e volta a correr. Corre agora mais devagar. Já não haverá urgência. Já descobriste parte da simplicidade da vida e da solidão. Agora, podes ir a andar e desfrutar a música dos teus passos. Estarás perto de encontrar a comunhão dentro de ti. Se fores capaz estarás bem contigo e vais gostar de viver de ti para ti.
A segunda parte da viagem não é fácil: saber encontrar-se dita a cura do que vai na alma. Mas o mais difícil é decidir partir e procurar a identidade do eu.
P.S. Hoje a música que embala é esta: http://www.youtube.com/watch?v=7LlKoQAvXUc :)
terça-feira, novembro 01, 2011
Vida
É paradoxal esta existência. Parecem estalinhos nos ouvidos a pedir para acordar quem morre dentro de cada um de nós. Como se fosse apenas um adormecimento demorado. Morre-se assim dentro das pessoas sem sabermos se algum tempo vivemos dentro delas. E Morrem dentro de nós da mesma forma. Não se sabe porquês, quandos, comos. Não há culpas ou desculpas. Simplesmente acontece. Um acontecer da razão, da dor da ciência. Ela diz-nos, com frieza das formulações das hipóteses, que nem todos têm o direito de viver dentro de alguém… Já bastam os imaginários, não? E estes, a maioria das vezes, acabam por desaparecer também. A morte das pessoas nas vidas caminhadas acaba por ser sinónimo de memórias perdidas e encontradas. Há dias que, por qualquer coisa, nos levam a dar vida aos que morreram. Uma panóplia de sentidos invade a alma e dá alento a dias cinzentos. E eu já não tenho medo.
(Minto. Tenho medo de morrer em alguém que em mim ainda tenha vida.)
P.S. *Também nos devemos lembrar de quem vive e querer que vivam felizes para serem todos lembrados no dia de hoje com muitos sorrisos.
*A música que fica... http://www.youtube.com/watch?v=wZd8bVY8Kk8... Abrir a janela e voar :)
sexta-feira, outubro 07, 2011
Poetas

sábado, setembro 24, 2011
o que se pensa

Há sempre noites em que gostava de escrever mais sobre o que vai em mim. Sobretudo sobre o que penso. Acabo por não fazê-lo. Às vezes magoa pensar de mais. E cada vez que escrevo penso muito. Na efemeridade desta existência e das partes que morrem em nós bem antes de partirmos para uma eternidade que teima em ser um conceito abstracto. No Amor que é preciso dar. No Amor que é preciso receber. Nos pólos magnéticos que cada um de nós é. A atrair os diferentes e a repelir quando se é igual. Na estranheza de quem desiste e chora. Na similaridade de quem arrisca e sorri. Penso nisto tudo e volto a pensar. No porquê de ser assim. Nos sinais que teimo em adivinhar e que já não existem. No que me leva até a Sol e me faz cegar. No que me leva até ao Céu e me faz sonhar. Chego sempre à mesma conclusão. Não sei nunca definir nada e por mais que treine vou ser sempre assim. Ambivalente em tudo: perto, longe e princípio, fim. E se for para sempre este o ciclo? Por mais que eu não queira. Por mais que eu sempre tenha sonhado com laços como os da história que só em grande a soube ler.
E se eu simplesmente estava a tentar escrever sobre perdas que fazem parte de mundos a cores reais, um dia quando os pólos magnéticos se inventarem sem partir, eu sei que aí já não saberei mais pensar. Mas, saberei sempre sorrir para a pequenina que é tão grande e que me faz acreditar que ainda consigo ser uma criança.
P.S. Há sempre boas descobertas como esta: http://www.youtube.com/watch?v=T0yaQ20dpWI&feature=related
terça-feira, setembro 06, 2011
Um novo grafismo
Queria pontos de afirmação no que pensava. E, por isso, fui à procura deles. Não queria vírgulas, pontos e vírgulas, pontos, pontos de interrogação, pontos de exclamação, reticências. Não queria nenhum destes sinais. Queria um diferente. Um que acumulasse as funções de todos. Um que não fosse preciso mudar consoante o que se diz, escreve ou sente. Um que se interpretasse individualmente e que exprimisse uma pausa prolongada ou pequena ou intermédia, uma pergunta, uma ironia, um sorriso, uma surpresa e algo incompleto. Tudo num único desenho. Comecei a desenhar e a procurar definir este novo sinal gráfico.
Que me perdoe a gramática perdida no tempo se anseio pelo vanguardismo desta nova arte.
Olhei para a Lua, invisível no azul do céu da noite, e ela contou-me como era o grafismo que queria esboçar. Sorri. Era óbvio. Uma imagem que não gosto de usar, mas que traduz tudo e mais alguma coisa. Umas vezes cheio, outras vazio. Umas vezes feliz, outras triste. Umas vezes tranquilo, outras descompensado. Consegues adivinhar?
Hoje, esta noite e em muitas noites passadas, eu queria ter escrito sobre as saudades que tenho do sabor de um concerto de inverno que tanto me fez sonhar e aquecer. Não consegui escrever sobre ele. Ou melhor, escrevi. Naquele concerto procurei pelo sinal. E só hoje, esta noite, encontrei a sua forma.
P.S. Uma das músicas que descobri e senti: http://www.youtube.com/watch?v=d7dsOw_45JM
quinta-feira, agosto 25, 2011
vaivéns
Quando uma água salgada é sinónimo de fim, o silêncio visita as palavras. Ficam outra vez diferentes. É uma visita inesperada e nunca se sabe, ao certo, quando ele parte outra vez em viagem. Mas, um dia parte mesmo e leva com ele saudades. Mas, num outro dia, volta e traz com ele nostalgias. Diz-se que, nestes vaivéns, o silêncio visita livros, cadernos com escritos à mão e músicas. Também visita Invernos e ventos gelados na face e também visita Verões e sóis quentes na face. Traz sempre consigo pequenas vozes doces que fazem companhia como um qualquer quadradinho de chocolate derretido nos meus sonhos.
Um sonho e Um nada.
Um nada. Um nada que se transforma, sem sabermos como, em tudo. Um tudo que também se pode transformar em nada. São as disparidades desta vida que nos fazem ser a soma de dois igual a 1 ou por qualquer razão, não trivial, 1 + 1 é igual a 2. Não sei se se procura ou se encontra. Não sei o que dói mais: saber tudo ou não saber nada. Ainda assim, acredito que se cresce e que se sorri por outros pedaços permanecerem em nós, para um sempre.
P.S. *Decidi acrescentar umas frases ao que te escrevi há uns tempos, little Angel, acerca de nadas e de tudos.
*A música que inspira hoje…
http://www.youtube.com/watch?v=8-84_9ube78&feature=related
segunda-feira, agosto 01, 2011
ali

Ali. Sonhei um pouco com a vida e com o mundo. Naquela noite a ouvir uma voz feminina que entoava fados (con)sentidos. Não sei bem por que é que decidimos ficar ali, naquele preciso lugar, de pé a olhar para o palco lá longe. Gosto de olhar perto, bem perto e perceber o quê e quem me rodeia. Talvez por segurança, também por curiosidade de percepcionar o que vejo. Ali. À minha frente dormia um menino, embalado por toda aquela música, e embrulhado num cobertor quentinho que apetecia tanto sentir aquele calor. Ao lado estava a mãe, sentada, pensativa, cansada, cigana. Olhei para o tecto daquela máquina de algodão doce e vi luzes de cores. Uma azul, uma amarela e uma rosa. Decidi pensar o que eram para mim cada luz. O azul: o céu, o infinito, a descoberta, o sem limites. O amarelo: a luz que faz sorrisos e que diz que ninguém está só. O rosa: o sonho, o meu mundo quieto e perfeito e doce. Depois, decidi pensar quem estava em cada cor. Percebi que é difícil separar, marcar a delineação. São as três cores que trago dentro de mim e que vejo em cada pessoa que acolho aqui, umas cores mais intensas do que outras. Voltei a olhar para o menino e continuava a dormir, tranquilo e com um sorriso subtil nos lábios. Parecia que me lia mesmo de olhos fechados. Imaginei-lhe um futuro de corridas à procura de cada uma das cores. Muito ao meu jeito, ao que sinto, ao que está em mim, ao que me leva e ao que me toca.
Estava ali, de costas para mim, alguém que adocicava bocas com a perícia de moldar um algodão doce.
Um algodão doce, cor-de-rosa, que me fazia sonhar. Ali, connosco, em saudade, à procura de pequenas luzes, como aquelas que me levaram a divagar.
domingo, julho 24, 2011
A árvore da vida

Esboços de um tal filme que estremece cá dentro e parte bocadinhos de cada ser pessoa… “A árvore da vida” ou "um ensaio da existência humana (des)protegida".
Muitas imagens. Muitos pensamentos. Muitos anos de história. Muitas marcas. Tudo veloz e estonteante. Do cosmos à vida terrena e à eterna.
Ela dançava com pés de lã e falava para dentro, para si. O ar era dócil e frágil. Gostava de voar e de sonhar e de amar. Sentia-se grata e com graça. A natureza era a sua mãe e o céu o seu pai. Também havia outro pai. Outrora músico e com sonhos. Agora mau. O bem e o mal corriam atrás um do outro. Onde um existia, o outro espreitava também para existir. Cabia ser feita uma escolha pessoal e, quem sabe, uma escolha universal.
A imagem de piedade dos dois dinaussauros, em que eu poderia ser um e tu outro e em que poderíamos trocar de lugar e ficaria tudo igual. A morte à porta e um adiar dela. Um meteorito a extingui-los e a música de uma nova vida a nascer numa terra perdida neste universo. Chuvas que corroem montanhas, vulcões que incendeiam a existência.
O perdão. O choro agudo de uma perda. Um irmão que magoa o outro, sem saber bem porquê. O choro agudo de um irmão que confia. O perdão outra vez. E a mãe queria tanto que eles fizessem o bem, que se amassem, que se deixassem levar pela água da vida e pela luz que teima brilhar todos os dias. A perda da inocência e a realidade a doer cada vez mais. Crescer, é preciso crescer tal como uma árvore e uma cobra.
Pulos de felicidade e liberdade. Um elevador que sobe para nos levar ao reencontro dos que amamos. Um lugar tranquilo que acolhe. Que tem vento que faz esvoaçar os cabelos e as mãos. Abraços demorados e lágrimas sentidas. Sorrisos, muitos. O perdão outra vez. A entrega de uma vida a um mar que leva consigo a areia de que somos feitos. O tanto que poderia ter dito e o tanto que não sabia até este fim. Um lugar onde o fim é o início. O início do amor. O início da paz. O início da reconstrução. O início do mal pelo bem. Ali… à nossa espera… um dia.
Com luz. Sem luz. As dúvidas permanecerão para sempre. Ainda assim, faço o meu caminho pelo meu bem, pelo teu bem, pelo bem de todos.
domingo, julho 17, 2011
um
Quis ser imprevisível e quis ser eu a fazer surpresa no primeiro momento. Acabei por sorrir muito de forma tímida com as palavras que lia e que contavam o tempo até aos meus passos se ouvirem. Depois, veio um envelope envolto em segredos que de alguma forma previam o futuro, como se as palavras pudessem ser adivinhas. Eram pequenos pedaços de mim e que te oferecia ali para guardares bem em ti. O vento começou a sentir-se em cada poro de pele e era preciso um pouco de calor. A lua nascia e sorria para nós como uma pintura no céu. Um céu azul com uma esfera brilhante onde se via o lado visível da lua com mares de imaginação. Ficou bem como foto. Estava frio outra vez e eu adivinhei o teu pensamento não por magia. Primeiro eram dois sofás, depois um. E é o número um que marca o início de criatividade, de conversas, de óculos pousados numa mesa, de mãos entrelaçadas, de toques de contiguidade e de beijos com pequenos sorrisos. Guardámos outra foto. A noite acabou com saudades e o dia trouxe pedido de histórias. Conta-me histórias, foi o pedido. Um dia iremos encontrar o tesouro que existe no fim de um arco-irís e iremos inventar uma nova constelação, com aquela forma e com aquele sorriso. E a finitude deste universo tenderia, aí e para sempre, para mais infinito.
Ss + oo.
domingo, julho 10, 2011
A história II

Um esboço do plano de outra parte da história…
Voltei a pensar na história. Desta vez detive-me nos pormenores do interior. Os elementos iniciais serão a água, a terra, o ar, as árvores, as flores, os veados, as borboletas, as pedras. Cada um com o seu significado. A água pelo frio e pelo corte da distância. A terra pelo chão que pisamos. O ar pelo bem-estar das caminhadas. As árvores por esconderem segredos. As flores por serem o perfume da história. Os veados pelo pretexto de os ver e sentir mais. As borboletas por voarem desejos. As pedras nos sapatos e no caminho.
Foram manhãs disto. Enquanto caminhava ouvia pássaros a cantar. Percebi que cantavam “River flows in you”. Era melodiosa e deliciosa esta música. Fazia-me sonhar o infinito e fazia-me agarrar o presente. Era um sorriso sem medo. Era uma protecção sem igual. As palavras eram ocultas e os pensamentos claros. As vozes sussurravam pequenos silêncios. Havia risos, muitos risos. Advinha-se algum tipo de vínculo. Percebi, mais tarde, que seria um livro com quatro histórias em quatros tempos diferentes e com quatro formas de sonhar e de mar. A par disso, o vento batia-me com leveza na cara e eu fechava os olhos e pensava que tudo aquilo ia ser para sempre.

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