sábado, maio 24, 2008

É tudo.



Costas voltadas.
Arrepios de escuro.
Voz.
Poema.
Letras e palavras: Melancólicas.

Compassos misteriosos de pianos.
Eco.

Arrepio.
Lágrima.
Sentimento.

Sol.

Magia.

Quebra de ritmo e abala-se a melodia.

Palmas.

Sorrisos.
Desejos.


É tudo.

quinta-feira, maio 15, 2008

O ideal


A noite cai como um pano sobre a cara. Fecham-se as luzes e rodopiam-se as vontades. Trazem-se os sonhos amarelecidos. Focam-se as promessas em choros silenciosos. As palavras são desenhadas e guiam escondidas estados de alma. Penso: talvez o ponto final signifique mais do que ele mesmo; talvez o ponto final traga consigo o dia e as estrelas; talvez o ponto final seja o pretexto para finalmente brilhar. Os pensamentos continuam a significar símbolos e as minhas deixas deixam de ser pertinentes. O agora torna-se no que foi e fica o caminho aberto, como um conjunto ilimitado. A noite cai como uma flor seca, a morrer. É precisa água, muita água para renascê-la. Torná-la de acabada a mágica. O ideal.


Catarina

"(...)Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada." Miguel Torga

quarta-feira, maio 07, 2008

Herói, certo.


Nasceu quando ainda não havia nada que o fizesse viver. Tudo estava estagnado, quando nasceu. O tempo parado, os barcos encalhados, o vento estático, os sonhos mortos.

Nasceu quando ainda não havia nada que o fizesse acreditar. Crentes inexistentes faziam do passar irrisório dos ponteiros do relógio, grande negro da cómoda invisível, mera queda de pétalas de flores sem luz nem vida. Absurdos moravam na banalidade do comezinho, sem persuadir o próprio eu de cada um. Estúpidos, certo. Acomodavam-se ao conformismo hipócrita sem perceberem que tudo estava a abrandar; pouco a pouco, tudo estava a fenecer. Envolto de tanto fracasso, ele nasceu.

Nasceu quando ainda não havia nada que o fizesse crescer. O caos instalara-se na desordem do espaço e já pouco fazia sentido. Sem sentido de fuga, teve que nascer. Não houve brilhos nem sinos, só ouve um choro prolongado de lágrimas puras de imunidade à queda do apogeu. A linha do tempo foi-se aproximando do fim e o sufoco era notório nele. Era preciso algo. A cura existia, e era terrena e suprema. Ecos de bombardeios de sonhos invadiam-lhe o pensar e o sentir. Estremeciam-no. Pum-pum. A noite caíra e baloiçava tenuemente uma mudança pelos ares quietos. A metamorfose do existencialismo do indivíduo foi saber sonhar naquelas prontas horas e dar voz, muita voz!, a todos os desejos impostos por ele ou por alguém de olhos bem abertos.

Tudo acordou com o raiar da luz da manhã: as flores, as águas, os ventos, as pessoa, os céus. De ridículo, tudo passou a interessante. Herói, certo.