sexta-feira, outubro 18, 2013

Amar é isto.

Somos feitos para ser com os outros. Não sozinhos. Acompanhados com. Querer conhecer os outros um pouco mais. Querer partilhar um pouco mais do que somos. Na verdade. Sem máscaras.

Nunca nos conhecemos na plenitude. “Viajar” ajuda. Quando se faz um percurso do que já passou, das “sortes e dos azares”… enfim, da vida que nos faz ser.

Amar é isto. É querer ir. Ir sem saber o que se vai encontrar escondido no recôndito de uma alma humana, como a nossa. Com tanta fragilidade, com tanto medo, com tantos sentidos. Ir com a certeza de que é bom partilhar, mesmo que doa e que essa seja a “dor do coração”. Poucos há os que a sentem. Ou porque não querem que se vá a fundo no descobrimento dos pedaços ou porque simplesmente ainda não foi a hora.

Os primeiros são os que preferem a ausência de luz. Ficar ali pela vista de lustro de fora. Dá trabalho, é exigente ir ao cerne, ao nosso, ao meu, ao teu.

Só há almas escuras se não te predispuseres a acreditar que podes ser uma luz. Cada vez que há um raio, conhecemo-nos melhor. Às vezes fica claro demais e a nossa verdade confunde-se com ódio. Parece mais fácil ficar na escuridão. Mas, sabes, no fundo temos tanto, tanto e somos tanto, tanto, que guardar isto apenas para nós é um egoísmo ricardiano.


Amar é isto. É querer ser luz e é gostar de ser claro. 

P.S. "Yeah we still got time"... http://www.youtube.com/watch?v=WWJfsGoc6fw 

sábado, outubro 05, 2013

Postal de Veneza

O primeiro momento ter sido à noite trouxe um outro sentimento à cidade. As luzes e o pouco barulho nas águas adivinhavam um amor crescente ao labirinto que iria percorrer. Não é fácil saber onde se está se não houvessem placas com os nomes das ruas ou das praças. Perder-se naquelas ruas é encontrar em cada recanto umas flores penduradas nas janelas e uma gôndola enamorada nos mares. Veneza cheirava bem. Cheirava a perfumes caros. Além das fotografias queria ter fotografado cada uma destas essências. Veneza tinha muita luz e dava para ver os Alpes. Eu reluzia com ela, no meu jeito envergonhado e com a minha sede de ser cidadã do mundo. Os palácios e a cultura faziam-me sorrir alto com os exemplos de cuba, com a contemporaneidade da arte. O nosso português entranhado naquelas ruas, pela fala e pelo fado. Lá também se estuda a nossa língua. Que bom encontrar acasos que nos fazem sonhar como a Alice no país das Maravilhas. As quatro estações na acústica perfeita de uma igreja. Deus também gostou de ouvir, tenho a certeza. A praça com a multidão, o vento na cara enquanto se navega até outras ilhas. A chuva forte da noite. A despedida na ponte que atravessa o Grande Canal e que os meus pés subiram e desceram não sei precisar as vezes. Foi bom deixar-me estar a saborear o pôr-do-sol ao som da água que embala sonhos. É para voltar e ver a aqua alta.

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