quarta-feira, dezembro 24, 2008

Filhos do Coração


Pendurar numa moldura a tua fotografia e adoptar-te à distância. Olhar o teu sorriso e ter pena e ter esperança e ter vontade de te ir salvar e ter consciência que é impossível.... Mudar o que está mal, mudar o que não gosto, o que não está certo, o que não podia acontecer. Mudar uma dinâmica de felicidade e pobreza de espírito.

Fé. O melhor que se pode ter. E a diferença? Vem de: Um gesto: Dois gestos: Três gestos: Muitos gestos. O mundo balança e deixa cair os maus e ficam de pé as crianças, o futuro deste amanhã.


Feliz Natal :)


Lembrem-se dos "Filhos do Coração" que andam por aí esquecidos...

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Difícil


Sentir. Sente. Sentimos. Que um dia tudo pode ser como pensávamos, que nunca haverá aquele choro, aquele escuro. Que um dia tudo ficará estático como um relógio sem pilha, como um deus sem tempo. Vem a razão. Reflecte-se. Sabe-se que haverá para sempre uma parede a separar os dois mundos, uma pedra a atrapalhar os desejos, um abismo até. Não quero. Não! não quero. Saber que uma parte estará completa para sempre e que outra estará vazia para sempre. Saber que uma esfera rolou e subiu mais e mais e que outra continua parada, como se fosse possível. Deixar-me e não querer, deixar-me ir e vencer naquela batalha e perder na mais importante para os Homens. Encontrar uma ilha e esperar que chegue um barco ou esperar um barco e encontrar uma ilha? Parece difícil, mas calma. O tempo chegará, os ponteiros são sempre cíclicos. E em qualquer viagem, em qualquer partida, haverá quem esteja à nossa espera na chegada. E Se não estiver inventamos, procuramos, achamos e somos felizes. Talvez seja esta a receita…

segunda-feira, novembro 24, 2008

Era uma vez uma sombra...


Era uma vez uma sombra...

Adormeci num sono compassado cuja melodia eram a ternura de abraços. Volta e meia os seus passos seguiam-me em sapatinhos de algodão e eu ficava sossegada, calada. Estava sempre atrás de mim e eu não vi, não fui nunca capaz de ver. Uma cegueira enorme, um desafio oculto. Era uma sombra, sim, mas diferente. Era reflectida para trás, impossível de eu correr atrás dela. Apenas ela, só ela, poderia correr atrás de mim. A verdade é que nunca se cansou, porque eu sempre andei devagar, sem pressas, sem rumo, sem nada.

Houve um dia que a sombra desapareceu. Não sei se dei conta, não sei se queria dar conta. Ela deixou de me abraçar e de me levantar cada vez que eu tropeçava naqueles fios de tempo. Cansou-se, é certo. Talvez da minha insegurança ou mesmo da minha falta de iniciativa para correr até ao céu e lançar-me naquele baloiço até ao mar. Também me cansei por não a ver, por apenas ouvir caminhadas quietas e sorrisos plácidos.
Sorte, indiferente. Expectativa, nenhuma.

Era uma vez uma sombra...

Que
...

sábado, novembro 01, 2008

Devaneios floridos


O jardim está a adormecer e ouvem-se os suspiros das flores. Eu escrevo com a mão quebradiça ao som do adormecimento da terra. Está escuro lá fora, o silêncio já se ouve. A manta aquece o corpo e alimenta a criatividade.


Olho para o horizonte e imagino uma flor sem sono que teima em ficar acordada para sempre. E eu rio-me com estes meus devaneios floridos. O sempre, o sempre - penso. O sempre é relativo como a minha sede por esta terra. O sempre é impossível mas ao mesmo tempo fácil de se sentir. O sempre existe quando eu digo que existe uma flor que não dorme. O sempre existe quando eu oiço uma estrela a guiar uma flor. O sempre existe quando eu vejo duas flores unidas a um luar sem sono.


Estas flores são humanas: sabem e acreditam . Sabem como funciona a dinâmica e não se entristecem com o Outono. Sabem que eu as imagino assim, e por isso gostam de me fitar quando tudo dorme. Elas acreditam em mim, nos céus e nas terras e acreditam no sempre. Acreditam!
Elas acreditam que um dia tudo estará acordado quando uma delas adormecer eternamente, para sempre...

domingo, setembro 28, 2008

Celeridade de um sorriso ou de um olhar


O olhar. O olhar confunde-se com o sorriso e no sorriso há o olhar e no olhar há o sorriso. O toque é pequeno e a luz infinita. A celeridade dos pensamentos é absurda e os desejos e invocações de novo existem neste lugar tão próprio que é meu. Na primeira vez, a luminosidade não é clara e inconscientemente ela fica a dançar invisivelmente nos olhos. Na segunda percepção, vê-se algo e gosta-se do que se fita. E nas restantes, a luz surge e traz sorrisos agregados a ela e a gente sorri.

Então…

Podia começar a exortar génios e teria sucesso, porque estes crêem num olhar e eu creio em genialidades. E, por vezes, por mais que me distancie do meu céu, a luz daquela estrela aparece num brilho desigual de um sorriso meu ou de alguém.

quinta-feira, setembro 18, 2008

Ser ou não ser...


De alvorada em alvorada o canto persistia. Mil léguas ultrapassava num estilo magistral e perfeito. A razão era simples: acordar. Os olhos abriam com a claridade da manhã e a mente estremecia com o sussurro dos pássaros, das flores, das nuvens e de outros naturais. O sabor daqueles dias era igual ao de uma quimera abençoada. Era Primavera, Verão, Outono e Inverno e existir era rir.

De vigília em vigília o canto persistia. Mil léguas ultrapassava num estilo ignóbil e perverso. A razão era simples: acordar. Os olhos abriam com a escuridão da noite e a mente estremecia com o sussurro de gritos e de berros surreais. O sabor daqueles dias era igual ao de um pesadelo cruel. Era Primavera, Verão, Outono e Inverno e existir era sinónimo a não ser nada.


Humano? Eu?

terça-feira, setembro 02, 2008

Intuitos


As cores do natural coabitavam num universo tão próprio de colorações que eram capazes de falar mais do que humanos com capacidade retórica. Os olhos, cinzentos como a cinza, entendiam esta mutação artística e faziam-na desfrutar, momento a momento, o que percebia pelo olhar. Os sons também se alteravam com a direcção do vento: eram melosos e prezados e faziam-na levitar num oceano de utopia. Percorria aquela estrada, de pó capaz de cegar, sem desejo de chegar ao último quilómetro. Os passos eram pequenos, os intuitos tão grandes. O tic-tac do relógio estava abafado pelo espaço, e o tempo transformava-se num elemento inexistente à vida, como se fosse possível.
Das possibilidades, passa a ter como condiscípulas de jornada as impossibilidades. Quando deixava de sentir a brisa a bater-lhe na cara, notava que já lhe tinham aberto a porta do mundo real. Tudo se desvanecia ao querer dela. Agora, os passos eram grandes e os intuitos tão pequenos. Os sorrisos das flores e o canto das nuvens escondiam-se neste mundo e perdiam-se pelos labirintos tão comuns. Chamavam-na, em silêncio para ninguém ouvir, e convidavam-na a percorrer os caminhos que tinham descoberto para o outro tal mundo. Ela queria… mas o dever imperava.
À noite, a realidade dormia sem sonhos e ela atrevia-se a fazer o caminho de todas as manhãs, acompanhada pela luz mágica da Lua. Voava e acreditava.

Era um refúgio, era uma salvação. Era ela a inventar cores e maresias e fantoches benfeitores.

segunda-feira, agosto 11, 2008

Emaranhar de ideias


A porta fecha. As cortinas correm. A vontade de escrever alia-se a um misticismo colorido pelas batidas quentes e escuras da noite. As palavras sussurram-me segredos analfabetos para o meu entendimento. Sei, por saber, que me falam do meu âmago. Trazem escondidas essências de sabedoria, razão e sentimento absurdo. Não é fácil perceber. O tempo esvoaça como o fumo da imaginação e a areia quase cessa e há a tomada de decisão que não espreita. A velocidade da rotação aumenta complexadamente e envolvo-me no que vejo, sem saber a porta de chegada e de partida. Estou no meio. Virtude? Graça? Desejo? Erro? É… no horizonte brilham questões e negações que se aliam a uma constante numa equação demasiado infinita. A terra e os sonhos sabem a mundos paralelos: intocáveis na perspectiva mais óbvia. Soltam-se gritos e asas avolumadas o suficiente para criar laços desejáveis. A identidade reluz e não se parece mais com o universo que arrefece pouco a pouco. No meio deste emaranhar de ideias, alguém ousa esperar pela luz da porta mais certa.

domingo, julho 13, 2008

Luz pouca



Perdida no silêncio amargo daquela noite, era capaz de te olhar e ver que não estavas bem. Não podia falar. Não podia sorrir. Não podia acenar. Apenas olhar. E olhava-te, como a Esfinge no deserto cheia de sede, e sentia que continuavas escuro. Toda a luz que tinhas conseguido tinha mudado de cor dentro de ti: cinzento e agora negro.
Estás preso, com correntes mortas, a ti mesmo e não te queres libertar. O que tens faz-te mal. O dever devia ser iluminar e não cobrir a luz com cabelos mentirosos e mãos bloqueadas.

Gostava de poder, outra vez, falar-te e dizer-te tanto, mas não posso. Promessa a mim mesma? Melhor: forma de eu não ficar sem brilho e esperança como tu.

Para ti, o desejo de te soltares da clausura em que vives por quereres e amares.


P.S. O blog fez 2 anos :) Eu mudei muito, mas vontade pela qual ele nasceu continua inalterável...

quinta-feira, junho 26, 2008

Cantos


Entrelaço-me no descanso dos dias longos e deixo-me ficar a saborear o que de mais delicioso há no recanto da minha lua. Olho, com aqueles meus olhos de escutar, os segredos dos que andam a dormir com o olhar entreaberto. Às vezes, gosto do que vejo e sorrio; outras, não esboço qualquer simpatia e baloiço-me na minha lua à procura de uma nova projecção.

Rodo-mo no melhor sentido da rosa-dos-ventos; Norte, Sul, Este, Oeste? Que importa? A melhor direcção é a minha: a mistura de todos os pontos cardeais com um único sentido apenas. Deleito-me com os aromas da terra e da água e do céu. E Disfarço-me na cor branca e deixo-me estar nesta transparência até quando eu quiser. Ou Tu?

Os segredos continuam a bajular as essências e cada vez mais me sinto convidada a ouvir os cantos das aves universais.

domingo, junho 01, 2008

Cansamo-nos



Cansamo-nos. Trazemos à baila essências demasiado trabalhadas para serem expostas aos não seres. Ficamos quietos e rimos. Rimos muito e alto. Rimos pelos olhares. Rimos pelo pardo que nos atrai. Rimos por existirmos assim. E. Baloiçamos com as letras das palavras que cantamos tão silenciosamente. Baloiçamos com os gestos das nossas vozes e das nossas mãos.

Ouvimos o rasto da música e tornamo-nos mais sérios. Adivinho a tua cor e tornaste irrisório nos meus pensamentos. Os barcos de papel que deixaste por navegar deixaram-te num porto hesitante. O mar fica revolto e tudo escuro, igual a ti. O teu olhar torna-se o meu. E. Não quero ver.

Cansamo-nos. As margens distanciam-se e nem um braço, nem dois, nem três eram capazes de uni-las por um dedo. Caminho para um lado e tu para outro. A música continua a ecoar baixinho. Fecho a minha janela e deixo-to do lado de fora. Estamos cansados. Preciso adormecer e acordar como eu era. Porque só assim faz algum sentido.

sábado, maio 24, 2008

É tudo.



Costas voltadas.
Arrepios de escuro.
Voz.
Poema.
Letras e palavras: Melancólicas.

Compassos misteriosos de pianos.
Eco.

Arrepio.
Lágrima.
Sentimento.

Sol.

Magia.

Quebra de ritmo e abala-se a melodia.

Palmas.

Sorrisos.
Desejos.


É tudo.

quinta-feira, maio 15, 2008

O ideal


A noite cai como um pano sobre a cara. Fecham-se as luzes e rodopiam-se as vontades. Trazem-se os sonhos amarelecidos. Focam-se as promessas em choros silenciosos. As palavras são desenhadas e guiam escondidas estados de alma. Penso: talvez o ponto final signifique mais do que ele mesmo; talvez o ponto final traga consigo o dia e as estrelas; talvez o ponto final seja o pretexto para finalmente brilhar. Os pensamentos continuam a significar símbolos e as minhas deixas deixam de ser pertinentes. O agora torna-se no que foi e fica o caminho aberto, como um conjunto ilimitado. A noite cai como uma flor seca, a morrer. É precisa água, muita água para renascê-la. Torná-la de acabada a mágica. O ideal.


Catarina

"(...)Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada." Miguel Torga

quarta-feira, maio 07, 2008

Herói, certo.


Nasceu quando ainda não havia nada que o fizesse viver. Tudo estava estagnado, quando nasceu. O tempo parado, os barcos encalhados, o vento estático, os sonhos mortos.

Nasceu quando ainda não havia nada que o fizesse acreditar. Crentes inexistentes faziam do passar irrisório dos ponteiros do relógio, grande negro da cómoda invisível, mera queda de pétalas de flores sem luz nem vida. Absurdos moravam na banalidade do comezinho, sem persuadir o próprio eu de cada um. Estúpidos, certo. Acomodavam-se ao conformismo hipócrita sem perceberem que tudo estava a abrandar; pouco a pouco, tudo estava a fenecer. Envolto de tanto fracasso, ele nasceu.

Nasceu quando ainda não havia nada que o fizesse crescer. O caos instalara-se na desordem do espaço e já pouco fazia sentido. Sem sentido de fuga, teve que nascer. Não houve brilhos nem sinos, só ouve um choro prolongado de lágrimas puras de imunidade à queda do apogeu. A linha do tempo foi-se aproximando do fim e o sufoco era notório nele. Era preciso algo. A cura existia, e era terrena e suprema. Ecos de bombardeios de sonhos invadiam-lhe o pensar e o sentir. Estremeciam-no. Pum-pum. A noite caíra e baloiçava tenuemente uma mudança pelos ares quietos. A metamorfose do existencialismo do indivíduo foi saber sonhar naquelas prontas horas e dar voz, muita voz!, a todos os desejos impostos por ele ou por alguém de olhos bem abertos.

Tudo acordou com o raiar da luz da manhã: as flores, as águas, os ventos, as pessoa, os céus. De ridículo, tudo passou a interessante. Herói, certo.

terça-feira, abril 29, 2008

Vem e vai


À deriva naquele dia sonhava com a voz de outros tempos...


Voz: Vem. Vem sentar-te aqui. Quero falar-te e saber das tuas decisões. Consigo perceber que precisas de algo meu.


(Olhar: Filha, os sonhos são dores…)


Voz: Senta-te. Olha os meus olhos. Sabem tanto. A idade também pesa, é certo, mas muito mais do que isso conheço-te. Conheço-te, porque também eu sei ler o invisível e por mais anos que passem, vais continuar a ser aquela papoila que baloiça e não cai. Serás sempre a menina dos sorrisos vermelhos, sempre.


(Olhar: Dorme, criança, dorme,/ Dorme que eu velarei)


Voz: Não Catarina! Não vás por aí! Não vais ser feliz assim. Imagino-te no futuro assim ... Confia no que te digo e não mintas mais a ti própria. Tens um castelo para construir e nunca para arruinar.
Agora vai, alguém te espera.

(Olhar: A vida é jovem e o amor sorri)


Deixei de derivar após ouvir e ler, pelo olhar, estas palavras. Serão indeléveis à passagem das folhas do Outono.


P.S. *As frases do olhar são da autoria de Fernando Pessoa e as da voz são de outra mente genial :)

sexta-feira, abril 25, 2008

Quando não sei


Sonhos perdidos na razão de não ser
Trazem escondidos pedaços de alma nua.
Quando há luz, evadem-se na linha imaginária e transformam-se em realização.


Quando não há luz, permanecem adormecidos e aniquilam-se em prostração.


1/4/2008


P.S. *Foi num dia de muita luz que os cravos marcaram um tempo, e ainda bem que marcaram :)

sexta-feira, abril 18, 2008

Sopros do mar


Não fui a tempo de te dizer que era eu a agitar as águas, porque não ouvi as tuas lágrimas, porque também eu estava a chorar. Não sei porquê, talvez adivinhasse a tua partida não sei bem para onde. Hoje, nesta noite, a escuridão já não pesa nem cerra, porque hoje, nesta noite, sou capaz de ouvir a nossa canção, aquela que outrora cantavas. E ainda cantas, porque eu a escuto e entendo mesmo não havendo clareias de luz… E tu sabes… Da nuvem onde te sentas a olhar-me a escrever, sabes… Sabes o quanto é essencial eu ver um dos teus sorrisos e guardá-lo na esperança de que a gota de água que lançámos seja capaz de fazer brotar da terra e do mar e do sol e da lua muitas palavras.

A nuvem afasta-se na imensidão desse teu grande mar, os grandes Deuses sopram afastando a calamidade sobre as águas, de longe revejo-te e alegro-me em sonhos que vagueiam moribundos pelos teus mergulhos constantes na perseguição às letras que timidamente vou deixando a pairar sobre o ar. Atravessas correntes descontentes na esperança que a grande mãe se lembre de deitar raios e coriscos e me devolva a este grande mar! Mas o vento corre e a poeira já se sente, neste presente serás tu uma alma crente?

Catarina Proença&Marco Martins


As gotas continuam a viagem neste universo de tantas e tantas existências :)

sexta-feira, abril 11, 2008

Ch...


Hoje estou dormente, porque chove. Chove tanto. Chovem palavras difíceis, cortantes, amáveis: clássicas; Chovem estrelas, sóis, luares: luzes; Chovem mares, árvores, pedras: terras; Chovem flores, borboletas, cores: utopias. Chove muito. Chove... chov... cho... ch... Hoje é noite e chove. Chove tudo o que há e que quero que caia.

Hoje renova-se o tempo que foi para ser o que será.

Hoje a minh' alma chove...


-Deixa-a chover!

9/4/2008

terça-feira, abril 01, 2008

com ou sem Lápis-lazúli


Solta-se o vento e escrevo.


Estonteio os meus pensamentos e o meu génio. Entrelaço o natural com o abismal e gosto. Simplesmente gosto. Há um toque de mestria na passagem fotográfica que encaro com os meus olhos, porque lhe dou um tom e uma forma. E gosto. Simplesmente gosto. Está tudo apontado no meu adereço de rabiscos apenas com sentido para mim e para outros como eu.

O que miro não está perfeito no enredo, mas perfeito é na génese que lhe dei.


Solta-se o vento. E Vou escrevendo com ou sem Lápis-lazúli.


"Hoje parece bastar um pouco de céu" :)

sábado, março 22, 2008

Puro engano


Sentado naquele banco estava inconstante ao querer e ao não querer. Afagava cada momento como se do último se albergasse, e beijava-o com todo o ímpeto de um momento inefável. Depois pensava no tempo do tempo que ali estava, estupefacto ao lago sem vida e às árvores despidas. Não conseguia mais do que conceber meros rabiscos mentais do que quer que pensasse, porque o cálculo de tudo e até do tempo já tinha partido com o vento e com os assobios. Agora, era só o agora que subsistia aos ritmos exagerados das ideias dos que raramente passavam por aquele banco, um banco escondido do quase mundo entreaberto em tons de não sei de que cor. Mesmo sem uma tonalidade definida por certo, ele osculava e abraçava tudo quanto recebia com os olhos e com as mãos. E demorava-se... Demorava-se no êxtase daqueles momentos indeléveis sem notar que o tempo é um simples acessório ao fragmento da vida.

P.S. *Um dia, alguém pediu ao Tempo para parar o tempo e o Tempo perguntou: por quanto tempo?

*Boa Páscoa para todos os que me lêem :)

segunda-feira, março 17, 2008

Plim


O meu cérebro pede descanso.
Plim.
De tudo o que pesa.

Plim.
O meu cérebro pede descanso.

Plim.
De tudo o que pensa.
Plim.

O meu cérebro pede,

Plim,

Descanso.

Apenas descanso.
Plim.

P.S. *Quadro de Georges Braque

quarta-feira, março 12, 2008

as minhas palavras


Há palavras que se perdem. Perdem-se em tudo: no tempo, no espaço, no pensamento, na fala. Perdem-se como se fossem partículas de nada, como se não fossem importantes, como se os pormenores não fossem essenciais para a compreensão de coisas. As palavras perdem-se nos assobios do vento, na luz da luz e na água que evapora. Elevam-se e misturam-se no escuro do céu. Ainda assim, tenho algumas comigo; não sei se são muitas ou poucas: são as que me ficam e que não se perdem. É com estas que desenho frases e bordos textos. É com estas que me conheço e me melhoro. São elas que dão sabor ao que sinto e vivo.
São elas... as minhas palavras.

P.S. Só espero que elas tenham um sentido hoje, amanhã e depois.

segunda-feira, março 03, 2008

Enlace: Do céu ao Mar



Gota de chuva, voas tu sob os suspiros de vento, ergues-te e levitas sem temer a reacção de todos estes elementos que a mãe natureza nos concedeu. Escreve-se nos céus, suspiro das lágrimas de vida, que o medo não te possua, vamos escrever a passagem das nossas vidas.


O medo não me possui, sou eu que o possuo às vezes. Hoje é diferente. Quero deixar marcas presentes neste céu que ergo no auge para deixar cair, lentamente, pequenas gotas invisíveis de palavras. E estas, apenas estas, fazem parte deste agora. A passagem de tudo é como as ondas daquele mar que aconchega sussurros nunca antes ouvidos. Antes que a voz se cale ou enfraqueça, vamos escrever a passagem das nossas vidas.


Dos céus revelando os seus encantos, vai-se descrevendo em anonimato; entre pensamentos e devoções vou entendendo nestas linhas a voz das suas exaltações, os segredos encantados e declaradamente apagados dos seus pensamentos. Sente este mar, olha à tua volta, tantas gotas, tantos segredos, tantas companhias desejadas, tantos aconchegos e tanta solidão, junta-te neste grande mar... Torna-te desejo, abraça as gotas dos teus sussurros…


O meu olhar é capaz de ver e sentir tudo isso; até sente mais além: vê o fundo deste mar. É tranquilo e isso apazigua o que há cá dentro… O barulho das gotas a cair já não incomoda, o segredar dos segredos já não existe. Só há desejo, desejo de abraçar estas gotas que me aparecem nas mãos, sem euforia ou distorção. Elas aparecem, porque hoje há o desejo de me juntar a este grande mar e de me enlaçar na voz dos meus surpresos sussurros.


Na chegada a bênção das boas vindas, aclamando suspiros de felicidade, sensação de uma casa habitada nunca antes deixada pelos instintos fortes da sua emoção. Instala-te nestas belíssimas barreiras de coral, divaga entre sonhos e desejos... agora conta-me em palavras de mansinho, ainda no presente te agonia a dolorosa permanência da solidão?


Não sei bem. Não sinto bem. Ela só aparece quando não estou dentro deste mar ou desta casa ou quando todas as nuvens ficam carregadas de chuva. Mas depois as gotas vão caindo e eu vou ficando melhor, o escuro das ondas vai desaparecendo e eu vou ficando melhor. Fico melhor quando estou segura, quando olho para as luas que me guardam, quando passeio pelas areias branqueadas do fundo do mar... Fico melhor quando falo de mansinho, sem pressas neste caminho.

Agora, diz-me, como é sentir as gotas a unirem-se a este mar?


É sentir a minha chegada prematura, a escuridão que invade a longa imensidão do meu peito, a ausência do que nos foge por entre as mãos e passam a meras algas perdidas sem destino, é guardar um álbum de recordações de entre as réstias das mágoas que nos instruem... é a tristeza de saber que um dia voltarei à rancorosa tela, onde tu me pintas rodeada de abraços e de coração solitário, de olhos tristes e adormecidos... Em breve chegará a hora da minha partida, tomarás as rédeas deste reino, torna-te fogo, torna-te luz... que lá de cima te pintarei!


Não há breves nem outros tempos condicionais. Só há uma tela que eu vou esboçando com traços de tinta de chuva. Enquanto pinto, as gotas caem-me para os olhos adormecidos e dou asas à criação. Com ou sem mérito, pinto. Pinto-te. Rodeado de abraços tão fortes, mas sem rancores ou olhos tristes. Os teus brilham quando encontram o primor dos meus traços ou as ondas da tela que inspiram os meus e os teus sussurros. Também os ouves, porque és sábio. E a voz, pequenina, fala-te do sonho e da esperança, fala-te do dom das gotas invisíveis de palavras. Gostas da música?



Catarina&Marco Martins


Sentidos completados em palavras. Que o gosto continue…


sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Comme un coquelicot


"Comme un coquelicot/Como uma papoila
Rouge-rouge/Vermelha-Vermelha
Rougit de vie/Avermelhada de vida
Et bouge/E mexe
Comme si... tu le savais/Como se... Soubesses
La vie n'a pas de mais"/A vida não tem obstáculos.


Uma prenda que recebi muito bonita de alguém há muito tempo. Uma prenda que me acompanha e que me encanta cada vez que leio o pedacinho de papel. Encanta-me pela subtileza na minha descrição.

......

Até para nascer é preciso ter sorte. Por isso, fico feliz por ter nascido na minha família e por ter conhecido pessoas espectaculares. Sem elas, certamente, que não poderia ser "un coquelicot". Obrigada, Luas =)

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Descalça


Saltito de nuvem em nuvem, descalça, com os pés molhados de luz. Saltito como uma criança: sem olhar para trás. Saltito mais e mais ao sabor do algodão das nuvens. Sinto que me elevo e não me sinto. Só sinto que voo em projecção lenta e demorada. E enquanto pairo, não penso; o meu conteúdo lógico perde-se no vazio do céu e eu simplesmente saboreio a sensação. Recebo-a com as mãos e saltito de nuvem em nuvem, descalça, com os pés molhados de luz.


Por vezes, é necessário descalçar parte do que somos para sermos capazes de receber sensações, nunca antes, percepcionáveis.

domingo, fevereiro 17, 2008

Há noites...


noites. Há noites em que pensamos que as nossas lágrimas sabem a fel como nós. Há noites em que percebemos que somos incapazes de sentir um Sol num oceano. Há noites em que o sonho não desperta. Há noites. Há noites assim.


P.S. Ainda bem que nem todas as noites assim são...



terça-feira, fevereiro 12, 2008

Ver que nunca percebo


Não ter forma para ser, mas ser.
Ser um pássaro que canta
Canta uma melodia que me faz fechar os olhos

Fechar os olhos para descansar, não eternamente,
Descansar o suficiente para poder ouvir o canto mais uma vez e ter vontade de fechar o olhar.
Este olhar que me acompanha

Acompanha em todos os pedaços de tempo
Como as minhas companheiras de guerra.
Esta guerra que se acalma mais e mais,

Apazigua-se à tua passagem.
A tua passagem que cruza a minha quando eu ainda,

Ainda,

Não fechei os olhos.

Estão abertos
Abertos a tudo e à tua passagem,

Porque preciso de ver
Ver que nunca percebo.

Tenho dito.

domingo, fevereiro 03, 2008

Máscara com sorrisos e malmequeres


Sinto-a como se navegasse por mim dentro, como se percorresse todos os meus neurónios numa sinapse demorada. Percorre-me sem me pedir licença, aparece-me sem me dar escolha e perturba-me sem me perguntar se incomoda. E incomoda mais que muito. Incomoda ainda um tanto quando pára. Ela pára. Pára cá dentro, bem ao centro, quase no meu ponto de equilíbrio; no meu peito.
Dói-me esta dor escura, este vazio que existe em ti e que sabe a amargura. Dói-me tudo aquilo que fica encurralado nos meus pensamentos. Fica tudo preso, tudo cá dentro, sem liberdade no labirinto infinito que é este espelho. Nada sai, porque há um medo. O medo de magoar quando sair em palavras escuras. Dói-me.
Pormenores, apenas pormenores. Pormenores que sempre podem ser despistados com uma máscara. Uma máscara com sorrisos e malmequeres.

P.S. Não há qualquer tipo de explicação, há coisas inexplicáveis e inegáveis.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Nada


Não há um rumo. Não há nada. Simplesmente há um silêncio. Um silêncio que nem chega a sê-lo, porque não há nada. Porque o silêncio é o nada, o silêncio é como o universo: não é inteligível e por isso não é nada. Mas este nada perturba-me. Estranho? O nada não me devia influenciar, porque não é nada, mas incomoda-me. Incomoda-me porque sei ouvi-lo e não gosto. Porque ele fala-me do nada e eu não gosto do nada. Ou se calhar até gosto.

Quando o nada se transforma no silêncio gera-se uma grande apatia.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

És um cubo.


As tuas faces visíveis são regulares, simétricas, íntegras; perfeitas até nas suas paralelas. Tu tens mais do estas faces; tens outras. Outras com mais encanto e mistério. São aquelas que estão dentro das que se vêem. Precisam de estar guardadas, porque são demasiado brilhantes para serem expostas à erosão. E tu estás lá dentro, intacto aos teus gestos, mero filósofo dos teus pensamentos e medos. Consegues estar ainda mais profundo. És capaz de ver as faces visíveis aos meus olhos e as visíveis aos teus olhos. E as que vês são as que te fazem bem, porque são aquilo que és, porque "ser-se" ser é conseguir ver-nos na perspectiva mais intrínseca.

O cubo cai. cai sempre que os radianos não são os verdadeiros valores. Cai mas não parte, porque não é de vidro, porque não és de vidro. Cada vez que cai as faces rodam. Rodam no sentido inverso ao tempo. E as perguntas precipitam na tua cabeça. Fica tudo do avesso e voltam as respostas. Respostas que muitas vezes não o são, porque não há respostas para tudo, porque tu sabes disso.

O cubo cai e és duplo: estás dentro e fora de ti. Dás um pouco do que tens para dar aos outros, é pouco, mas é quanto basta.
[Tens tanto para dar a ti]
É neste "dar aos outros" que mostras as tuas faces interiores, aquelas outras que fazem parte do "dentro" do teu cubo, aquelas que são perigosas, porque são imprevisíveis.
[É neste "dar aos outros" que para os outros és importante]
És 1 cubo. Um cubo com mais que 6 faces. Um cubo que cai e volta a cair, mas não parte, porque não é de vidro. És 1 cubo. Um cubo com tanto para descobrir.


P.S. *Quando se vê um cubo só se vêem 6 faces. Ele tem mais. Basta abri-lo e descobrir o seu interior ;)
*Tangerina falta o comentário...