sábado, outubro 05, 2013

Postal de Veneza

O primeiro momento ter sido à noite trouxe um outro sentimento à cidade. As luzes e o pouco barulho nas águas adivinhavam um amor crescente ao labirinto que iria percorrer. Não é fácil saber onde se está se não houvessem placas com os nomes das ruas ou das praças. Perder-se naquelas ruas é encontrar em cada recanto umas flores penduradas nas janelas e uma gôndola enamorada nos mares. Veneza cheirava bem. Cheirava a perfumes caros. Além das fotografias queria ter fotografado cada uma destas essências. Veneza tinha muita luz e dava para ver os Alpes. Eu reluzia com ela, no meu jeito envergonhado e com a minha sede de ser cidadã do mundo. Os palácios e a cultura faziam-me sorrir alto com os exemplos de cuba, com a contemporaneidade da arte. O nosso português entranhado naquelas ruas, pela fala e pelo fado. Lá também se estuda a nossa língua. Que bom encontrar acasos que nos fazem sonhar como a Alice no país das Maravilhas. As quatro estações na acústica perfeita de uma igreja. Deus também gostou de ouvir, tenho a certeza. A praça com a multidão, o vento na cara enquanto se navega até outras ilhas. A chuva forte da noite. A despedida na ponte que atravessa o Grande Canal e que os meus pés subiram e desceram não sei precisar as vezes. Foi bom deixar-me estar a saborear o pôr-do-sol ao som da água que embala sonhos. É para voltar e ver a aqua alta.


2 comentários:

pontodeluz disse...

Fantástico, mesmo!!! ;)

Ana Neves disse...

Que bom reviver!! Por momentos vi-me novamente em Veneza!! Que saudades!!
:) Beijinhos