sábado, novembro 01, 2008

Devaneios floridos


O jardim está a adormecer e ouvem-se os suspiros das flores. Eu escrevo com a mão quebradiça ao som do adormecimento da terra. Está escuro lá fora, o silêncio já se ouve. A manta aquece o corpo e alimenta a criatividade.


Olho para o horizonte e imagino uma flor sem sono que teima em ficar acordada para sempre. E eu rio-me com estes meus devaneios floridos. O sempre, o sempre - penso. O sempre é relativo como a minha sede por esta terra. O sempre é impossível mas ao mesmo tempo fácil de se sentir. O sempre existe quando eu digo que existe uma flor que não dorme. O sempre existe quando eu oiço uma estrela a guiar uma flor. O sempre existe quando eu vejo duas flores unidas a um luar sem sono.


Estas flores são humanas: sabem e acreditam . Sabem como funciona a dinâmica e não se entristecem com o Outono. Sabem que eu as imagino assim, e por isso gostam de me fitar quando tudo dorme. Elas acreditam em mim, nos céus e nas terras e acreditam no sempre. Acreditam!
Elas acreditam que um dia tudo estará acordado quando uma delas adormecer eternamente, para sempre...

2 comentários:

Marco Martins disse...

A nossa amizade é uma flor sem sono... Nos jardins mais floridos da nossa memória :) beijo*

Margarida disse...

Era de esperar que o teu nível de escrita já não me deixasse surpreendida porque costumo "cuscar" o teu blog de vez em quando:) Mas a verdade é que cada vez que aqui venho fico a pensar como é possível que consigas dizer coisas tão bonitas de uma forma tão bonita e aparentemente fácil para ti! Quero ser uma destas flores e espero que tu também o sejas!

Beijinhos e obrigada pelas boas leituras ;) *